Caia a tarde em pleno verão
e ao olhar aquele por do sol
por detrás daquela serra,
lá no infinito, daquela imensidão
a minha alma triste, vazia
escutava o canto de dor
do meu solitário coração...
Lá onde a montanha
parecia pequena, distante,
e as gaivotas em bando,
pelo mar, iam adentrando;
alçando vôos, perdidas no horizonte.
E eu, olhando distante o mar revolto
e aquele lindo barquinho
no oceano perdido,
num momento de desatino
lembrei do meu solitário destino.
Singrando pelos mares,
em caminhos errantes
desfazendo o novelo,
www.vidaalmaepoesia.com/decoracaopracoracao
tecendo as teias,
com precioso desvelo;
quem saberia entender meu lema,
quem poderia cantar o meu tema?
A bordo estavam a minha alma
e toda minha emoção;
seguia o barquinho sem rumo,
sempre nos fins de tardes,
em qualquer estação.
Enquanto eu,
quieta, pensativa, perdida,
olhando distante a vida,
o mar revolto, enfurecido
vislumbrei um mundo em desencanto;
vi guerras, fome, ódio e destruição.
Assim, naquele barquinho perdido,
coloquei meus sonhos,
minhas esperanças
e um cartão todo colado
com as fotos do meu amado.
Era a minha alma tristonha,
tentando encontrar aquela risonha,
um mundo encantado de amor e carinho,
que outrora, fazia do seu barquinho,
apenas, um alegre brinquedinho.
Singrando nesse mar sem rumo,
desse desconhecido mundo,
levando meus sonhos frustrados,
que ficaram eternizados,
em minha alma felina.
E os dois corações rabiscados,
em meus sonhos de menina.
Seguiu também no barquinho,
meu pequenino coração
deixando somente a saudade
e a minha triste solidão.
|